VAGOS OPEN AIR 2014

Publicado em 10 Março, 2014 Por...Jorge Silva Medeiros » Artes

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Heavy. Thrash. Speed. Death. Black. Female-fronted. É de metal, em todos os seus géneros, sub-géneros, nichos e vertentes, que se faz o VAGOS OPEN AIR. Desde que deu os primeiros passos na pequena localidade de Vagos, esse tem sido sempre o fio condutor na construção de um evento que, ano após ano, acaba por originar uma verdadeira romaria de fiéis ao som eterno à pequena localidade situada no distrito de Aveiro. O cartaz da edição de 2014, a VI consecutiva, a acontecer pelo segundo ano na idílica Quinta do Ega, não foge a esta regra, reunindo uma série de nomes de alto gabarito no que à música pesada diz respeito, prometendo mais um fim-de-semana de Agosto que se prevê, desde já, inesquecível nos dias 8 e 9 de Agosto. Aos já anunciados Kreator, Opeth, Annihilator, Epica, Soilwork e Angelus Apatrida juntam-se os thrashers suecos THE HAUNTED e os progsters britânicos SYLOSIS, que – com as suas abordagens singulares à agressividade típica do metal – são garantia de atuações explosivas. Os madeirenses REQUIEM LAUS e os portuenses KANDIA engrossam o contingente nacional de que parte também os Murk e Gates of Hell.

Quando os At The Gates se separaram em 1996, três dos seus cinco elementos (os irmãos Björler e o baterista Adrian Erlandsson) juntaram-se ao guitarrista Patrik Jensen e ao vocalista Peter Dolving e formaram os THE HAUNTED, dando continuidade ao som que os pioneiros do death metal melódico sueco tinham desenhado uns anos antes para o incontornável «Slaughter Of The Soul». Foi com essa formação que gravaram a estreia homónima em 1998, um registo de thrash implacável e furioso que os colocou em digressão no Reino Unido ao lado dos Napalm Death e lhes permitiu constituir desde cedo uma forte base de seguidores. Um ano após o lançamento do álbum de estreia, Dolving e Erlandsson deixam a banda, sendo rapidamente substituídos por Marco Aro e Per Möllen Jensen. Gravam então «The Haunted Made Me Do It» em 2000 e partem numa tour mundial, que daria origem a um álbum ao vivo, intitulado «Live Rounds in Tokyo», no ano seguinte. Anders Björler deixa temporariamente o grupo, mas regressa menos de um ano depois e, em 2003, é editado o terceiro longa-duração, «One Kill Wonder». No final desse ano é a vez de Aro abandonar, abrindo assim uma porta para o regresso de Dolving. É precisamente com a muito talentosa, mas controversa, voz original do grupo que lançam «rEVOLVEr» em 2004 e, numa toada mais experimental, «The Dead Eye», «Versus» e «Unseen», de 2006, 2008 e 2011, respetivamente. Em Fevereiro de 2012, o vocalista volta a abandonar e, pelo caminho, provoca um verdadeiro motim no seio do grupo, que culmina com as saídas de Anders Björler e Per Möllen Jensen. Depois de um período de silêncio, e provando que nada os pode deter, Patrik Jensen e Jonas Björler procuram músicos para seguir em frente – o grupo fica agora completo com Aro de volta ao microfone, Erlandsson de regresso à bateria e Ola Englund na guitarra. Acabam de editar o single «Eye of the Storm», que inclui os três primeiros temas gravados pelos “novos” THE HAUNTED.

Corria o ano de 2008, quando um quarteto até então desconhecido de Reading, Inglaterra – que, na altura, só tinha como referência dois EPs auto-financiados – assinou contrato com a gigantesca Nuclear Blast para a edição do seu álbum de estreia. Contra todas as expectativas, «Conclusion Of An Age» e os SYLOSIS deram que falar desde o primeiro momento com uma mistura, sem precedentes na altura, de death/thrash moderno e elementos progressivos. A mistura arrojada valeu-lhes elogios e o sucessor «Edge Of The Earth», de 2011, repetiu a façanha, colocando-os na primeira divisão da música extrema graças a digressões extensas com bandas como As I Lay Dying e Fear Factory e a participações de destaque em festivais como o Graspop e Wacken Open Air. Resultado: ao segundo disco já tinham atingido um nível de reconhecimento notável, sendo rotulados como um dos grupos mais inovadores da sua geração. Não intimidado pelo peso inerente à expectativa o grupo formado por Josh Middleton, Alex Bailey, Carl Parnell e Rob Callard fechou-se nos lendários Monnow Vale Studios, em Monmouth, no País de Gales, e com a ajuda do produtor Romesh Dodangoda gravou o terceiro álbum. «Monolith», de 2012, afirmou-se como uma verdadeira declaração de intenções, não só a nível musical como lírico, usando a imagem de uma rocha intransponível para mostrar que são dignos de todos os elogios que lhes têm sido traçados desde que deram os primeiros passos.

Contando já com mais de duas décadas de existência, os REQUIEM LAUS surgiram em pleno boom do underground nacional e, hoje, são um dos mais exemplares casos de perseverança saídos da ilha da Madeira. Corria o já longínquo ano de 1992 quando se juntaram, gravando a maqueta de estreia, «Life Fading Existence», dois anos depois. É precisamente nesse ano que o quarteto atua pela primeira vez no continente, seguindo-se a gravação de uma segunda demo, «For the Ones Who Died», em 1996. As atuações ao vivo sucedem-se e, combatendo a insularidade, estabelecem-se como um dos projetos mais trabalhadores e resilientes do underground luso. 1998 marca mudanças profundas na formação do coletivo e, já de cara lavada, reeditam «For The Ones Who Died», ganhando tempo para preparar uma terceira maqueta. «Through Aeons» é editada em 2000 e, nos meses seguintes, o grupo partilha palcos com bandas como Avulsed, Cyborium, Kormoss e Humanart, entre outros. Numa altura em que começava a ganhar cada vez mais nome, o grupo volta a sofrer profundas convulsões internas, que acabariam por dar origem a um período de inatividade. Só voltam a aparecer novamente em 2005, encabeçando o Roquefest nos Açores e protagonizando um par de concertos na Madeira. No ano seguinte gravam uma promo e dividem palcos com bandas internacionais de renome. Conseguem assim recuperar a atenção dos media e, aproveitando o embalo, viajam até à Suécia para, no Studio Underground, gravarem finalmente o álbum de estreia em 2007. «The Eternal Plague» é editado no ano seguinte, seguindo-se mais uma série de espetáculos na Madeira e no continente. Apostando numa mistura de death e doom metal a banda foi desenvolvendo uma identidade cada vez mais forte com o passar dos anos, bem espalhada no segundo álbum («As Long As Darkness Bleeds», de 2011) e no EP «Impulse», o seu lançamento mais recente.

Nya e André Cruz decidiram juntar as suas forças criativas em Novembro de 2007, dando assim origem aos KANDIA. Com gostos musicais bastante ecléticos a dupla criou um som próprio, que mistura todas as suas influências – dos Pink Floyd aos Opeth, passando pelos A Perfect Circle, Tool e Metallica. Em Julho de 2008, entram em estúdio para gravar «Light» com Daniel Cardoso como produtor. O EP foi lançado em Outubro do mesmo ano e recebeu excelentes críticas, inspirando as primeiras atuações ao vivo. No entanto, com a gaveta cheia de canções novas, Nya e André estavam já a imaginar o próximo lançamento e, em Maio de 2009, voltam a fechar-se em estúdio – uma vez mais com Cardoso sentado atrás da consola – para gravar «Inward Beauty|Outward Reflection», o álbum de estreia. Contando com a participação de JP Leppaluoto, dos finlandeses Charon, como convidado em «Reflections», alargam exponencialmente a sua base de potenciais fãs – muito graças também ao vídeo-clip que gravaram para o single «Into Your Hands», que gozou de exposição na versão nacional do Headbangers Ball da MTV e, hoje, conta já com mais de 35,000 visualizações no YouTube. Todo este burburinho acaba por captar a atenção de Masa Kishimoto, da editora BitOrg, que licencia o disco para edição no mercado japonês. No mesmo ano, são convidados para tocar no festival SummerSound, na Letónia, onde dividem o palco com bandas como os Guano Apes, entre outras. Já em Outubro de 2011 fazem suporte aos holandeses Within Temptation em duas datas portuguesas e voltam a dar um salto em termos de popularidade. À semelhança do que já tinham feito com as gravações anteriores, os músicos depositam toda a confiança na sua cada vez maior base de seguidores e lançam uma bem-sucedida campanha de crowdfunding. O dinheiro recolhido deu então origem a «All Is Gone», registado novamente com Daniel Cardoso e disponibilizado, em Maio do ano passado, através da BMG Chrysalis.

 


Editor de música Jorge Medeiros tenta saber e dizer algo sobre cultura do Mundo. Vive principalmente de radio e da sua fina cabeça, também da internet e do seu site de musica.

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