Kassé Mady Diabaté

Publicado em 5 Abril, 2016 Por...Maria Cordeiro » Curtas, VOZES DO CÉU

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Kassé Mady nasceu em 1949, numa aldeia rural, Kéla, descendente dos Diabatés de Keila, a mais distinta família griot do antigo Império Mandinga. O seu nome, como os dos grandes Toumani Diabaté e Bassékou Kouyaté, pertence à realeza musical do Mali. Os griots, que tanta importância e poder tiveram na consolidação do Império, é uma casta que sobreviveu a séculos de perturbações e mudanças, permanecendo florescente. Recorrendo a temas tão antigos como o próprio Império e a melodias aprendidas desde a infância os griot modernos ainda têm um papel mediador da ordem social, na solução de conflitos entre famílias, vizinhos ou aldeias.
Como se disse no texto inicial, a grande griotte Siramori Diabaté era sua tia e o av era chamado de Jeli Fama, um título dado aos melhores de entre os melhores, graças à sua voz excecional. Quando Kassé Mady fez sete anos, os mais velhos da família, incluindo Siramori, concluíram que o miúdo herdara o génio vocal do seu avô. Protegeram-no, encorajaram-no, até que fosse capaz de sair da sua aldeia, de deixar o campo, e fazer a sua carreira como músico. Kassé Mady desempenhou e desempenha um papel chave nos momentos mais inovadores da música do Mali nos últimos 50 anos, primeiro no seu país, mais tarde com marcantes colaborações internacionais.
Em 1970 tornou-se o cantor principal de Orchestre Régional Super Mandé de Kabanga. O grupo ganhou o concurso nacional da Bienal de Música de Bamaco (capital do Mali). O Festival foi uma iniciativa do Governo de então integrada numa orientação política comum a vários países da África Ocidental, que se tornaram independentes na década de 1960, de valorização da autenticidade cultural dos seus povos, de encorajamento aos músicos para retomarem a herança de séculos. Nessa Bienal a banda Las Maravillas de Mali – formada por músicos malianos que tinham estudado em Cuba e voltado a terra natal para tocar a sua interpretação dos clássicos cubanos – reparou em Kassé Bady. O Governo pressionava a banda para incluir no seu repertório mais músicas do Mali. Cooptar Kassé Bady era uma ótima solução para responder ao que o Governo pedia. Com o seu jovem vocalista, os Maravillas, que depois se passaram a chamar Bedema National tiveram um enorme sucesso na África ocidental, com canções ao estilo cubano mas com influência mandinga.
Em 1988 Kasé Mady deixou o Mali e os Badema National e mudou-se para Paris onde gravou o seu primeiro disco a solo com o célebre, já falecido, produtor senegalês Ibrahima Sylla proprietário da editora de referência da música da África Ocidental, Sillart Records. Ficou mais 10 anos em Paris, gravando Fode e Kéla Tradition. Voltou para o Mali no final da década de 1990, seguindo-se várias colaborações que se tornaram marcos: Songhai 2, o álbum com Toumani Diabaté e o grupo flamenco Ketama; Koulandjan, uma fusão de blues e música mandinga, com Taj Mahal  e, outra vez, Toumani Diabaté. Barack Obama contribui para  aumentar a fama deste último álbum quando declarou ser um dos seus discos favoritos. Outras colaborações com Toumanni, com os projetos Symmetric Orchestra e Afrocubismo, deram origem a álbuns gravados pela World Circuit.
Na década passada os projetos a solo incluíram os registos Kassi Kassé (2002), e Manden Djeli  (2009).
(traduzido de www.sixdegreesrecords.com com pequenos acrescentos)

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