Entrevista com Ash is a Robot

Publicado em 3 Fevereiro, 2015 Por...Jorge Silva Medeiros » Entrevista, Slider
Os Ash is a Robot são uma banda de Post Hardcore formada por Cláudio Anibal na voz, Renato Sousa na guitarra, Francisco Caetano no baixo e Vasco Rydin na bateria.

Os membros dos Ash is a Robot já fizeram parte de outras bandas do panorama underground português como Monogono, Ella Palmer, Marte, Porn Sheep Hospital, Beautiful Venom.
Os concertos ao vivo são um dos pontos fortes, a energia já é conhecida dos media nacional e internacional, a musica total esteve a conversa com a banda:

– Como foi o início da carreira da banda?

Renato: Foi o típico início de banda. Juntaram-se pessoas próximas ou conhecidas com vontade de tocar, criar e principalmente de levar um projecto musical um pouco mais a sério do que é costume. A iniciativa partiu de mim, fui falando com amigos com quem já tinha tocado noutras bandas e a equipa compôs-se! No início eramos cinco elementos, neste momento somos apenas quatro. Os ex-membros Gonçalo Santos (bateria) e Bernardo Pereira (baixo) devido a situações pessoais tiveram, com muita pena nossa, de abandonar a banda. Continuamos a ser grandes amigos! A bateria agora está a cargo de Vasco Rydin. Os restantes elementos são Cláudio Aníbal na voz, Renato Sousa na guitarra e Francisco Caetano no baixo.

– Quem são as vossas principais influências musicais?

Renato: Temos imensas influências comuns, ou seja que todos os membros da banda partilham, e outras tantas a nível individual que cada um acaba por trazer para a sonoridade da banda. Dizendo nomes concretos somos muito influenciados por bandas como Refused, At the Drive In e Mars Volta, não só pela música como pela atitude e maneira de encarar os espectáculos ao vivo. Mas com o passar do tempo outras influências estão a ficar cada vez mais vincadas no som que praticamos, nomes como Yes, Genesis, Rush, King Crimson são cada vez mais mencionados por nós e por amigos a quem mostramos as músicas novas que estamos a compor.

– Vivem da música?

Renato : Nós vivemos para a música! Dedicamo-nos à banda a tempo inteiro, seja a tocar ao vivo em Portugal ou pela Europa, compôr e gravar no estúdio, promover a banda, marcar concertos, gravar vídeos… Ter uma banda com ambições de chegar a algum lado e de apresentar material fresco e com qualidade ocupa as 24 horas que o dia tem e mais algumas!
Quanto ao retorno económico que retiramos desta actividade, todo ele é de novo utilizado para investir na banda, ainda estamos na fase do investimento inicial.

– Como definem este novo EP digital “Sympathetic Vibration”?
Renato: Para nós a nível de composição foi um desafio e uma oportunidade de aprendizagem.
O “Sympathetic Vibration” contém cinco versões semiacústicas de temas presentes no primeiro álbum da banda, alguns deles eram originalmente muito pesados (com muitas vozes berradas), dã o desafio de conseguir torná-los em canções com arranjos mais acústicos e vozes melódicas. No total o EP contém seis temas, sendo um deles um original “Sleep Paralysis” que revela uma faceta mais pop/rock da banda, sem no entanto perder a sua identidade.

-Foram destingidos com varias participações em concurso até que ponto isso ajudou a banda?

Renato: Conseguimos ganhar um concurso para tocar no Sziget Festival da Hungria, e outro também para tocar no Resurrection Fest em Espanha, foi uma oportunidade de levar o nome e a música da banda a mais público e sem dúvida que contribuiu para o rápido crescimento que a banda tem tido.

– Qual a meta é vender muitos discos, tocar ao vivo, ou uma carreira total na musica?

Renato: A meta é continuar a existir! Queremos conseguir chegar a mais e mais público para também podermos criar material com mais qualidade e continuarmos a dedicar o nosso tempo todo a este projecto. Porém não metemos sequer a hipótese de fazermos música a pensar nisso, que temos de vender ou temos de conseguir entrar num certo mercado… Primeiro nós fazemos a música que gostamos e só depois pensamos em como a vamos promover e até onde é que ela pode chegar.

– Para próximos tempos o que segue?

Renato: Mais e mais. Estamos neste momento a preparar muito mais material, na minha opinião o melhor trabalho da banda está neste momento a ser composto. A nível de concertos, vamos andar em tour pela Europa em Fevereiro e Março. Quando chegarmos vamos nos focar mais na composição.

– O que acham do atual panorama da música em Portugal?

Renato: Existem muito boas bandas e músicos em Portugal, a nível criativo penso que temos um país rico, e é pena não haver mais apoio por parte do governo e outras entidades a quem quer realmente criar arte. Compreendo que a música e a arte não têm valor num sistema monetário e capitalista a não ser que existam pessoas que a comprem, e hoje em dia quem é que compra música? Enfim… já estou a divagar.

– E dos sites de musica em Portugal?
Renato: Quantos mais melhor.

– E da rádio musica em Portugal?
Renato: A nossa carrinha tem o leitor de cd’s avariado pelo que temos ouvido bastante rádio nos últimos tempos.
Devo dizer que 90% da música que passa nas estações de rádio mais badaladas não tem qualquer originalidade e até se pode argumentar que não tem qualidade. Isto é a minha opinião pessoal, nem estou a falar pela banda, e pronto uma opinião vale o que vale. As estações de rádio mainstream são empresas sem qualquer visão artística a quem só interessa o dinheiro que gerem, é claro que há excepções felizmente! Existe música feita em Portugal com muita qualidade e felizmente ainda existem pessoas a trabalhar nesse meio que se importam e querem revela-la ao mundo.

– E dos sites da Tv?

Já estivemos várias vezes no Curto Circuito na Sic Radical mas se tivermos mais oportunidade para aparecer noutros programas, aparecemos.


Editor de música Jorge Medeiros tenta saber e dizer algo sobre cultura do Mundo. Vive principalmente de radio e da sua fina cabeça, também da internet e do seu site de musica.

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