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FESTIVAL SUDOESTE TMN 2007

21 de Maio de 2007
2, 3, 4 e 5 de Agosto na Zambujeira do Mar
OS ARTISTAS


THE EDITORS | No ano de 2006, os The Editors surpreenderam tudo e todos numa actuação digna de registo. Foi no Super Bock Super Rock. Mas surgiam, ainda, como uma das bandas a inaugurar a parte da tarde. Vestidos de negro, quatro ingleses de Birmingham davam um espectáculo de uma tal intensidade que parecia que a noite exigia chegar mais cedo. Revelação que não podíamos deixar de trazer. Desta vez, surgem bem para cima no cartaz do primeiro dia do Sudoeste TMN 2007. Com eles entra-se no reino da emoção que corta à flor da pele, tão querido de bandas britânicas dos anos 80, como Joy Division ou Echo & The Bunnymen. Nos implacáveis (poli)ritmos do baterista Ed Lay, nas guitarras agudíssimas e angulares do guitarra-solo Chris Urbanowicz, ou nas inquietantes, mas também quase etéreas vocalizações de Tom Smith encontramos os ingredientes que tornam o álbum de estreia “The Back Room” (2005) e o novíssimo “An End Has a Start” dois dos mais inquisitivos discos dos últimos anos. São rapazes a transbordar de paixão, de inquietação, de uma melancolia que tem que sair em forma de catarse ou grito primordial. E com canções não só para se ouvir no escuro de um quarto urbano – os The Editors são verdadeiros fanáticos do palco e da mistura das suas emoções com as de quem se coloca na sua frente. Cá esperamos esse intercambio emocional, em Agosto.





CYPRESS HILL | Dos primórdios da história do rap (ou seja, 1988), sobrevivem, fortes, empertigados, guturais e pedrados, os Cypress Hill. Da muito pouco salubre área de South Central, onde Los Angeles acolhe os deserdados das minorias que não atingiram o “american dream”, os Cypress Hill partiram à conquista do mundo. Que feitos conseguiram na sua cruzada? A abrir, ser a primeira banda de hip hop/rap latina com fama global. Depois, gizar uma amálgama gostosa que cozinhavam num caldeirão onde cabiam samples de guitarras rock, vozes nasaladas ou de barítono, e um pré-G-funk bamboleante. Ou, simplesmente, criaram um dos sons mais reconhecíveis da história do grande género urbano negro norte-americano. Para ainda darem mais nas vistas, defendiam, abertamente e em alto som e nas suas letras, a legalização da “marijuana”. Junte-se a tudo isto uma violência de cartoon (há quem lhe chame os Scooby Doo do rap…), e temos uns verdadeiros super-heróis. Agressivos mas com bom coração, sarcásticos mas conscientes, provocadores mas com objectivos, os Cypress Hill que vêm ao Sudoeste são devedores do nosso respeito. Um grande espectáculo em perspectiva. Desde que não cheguemos a nossa mão até muito perto deles. Eles ladram e, podem muito bem morder.





PATRICK WOLF | Patrick Wolf tem apenas 23 anos, mas, e parafraseando uma velhinha canção de Suzanne Vega, “a sabedoria dos seus olhos nega o número dos seus anos”. Porque desde muito cedo, mais exactamente desde os 12 anos, este irlandês começou a mostrar dotes para uma muito variada excentricidade artística. A saber: brincadeiras com velhos teclados e theremins, cantigas de rua com troupes de perpetradores de “white noise”, aulas bem académicas de violino. Os resultados de tudo disto estão registados em três álbuns que desafiam catalogações, mas a que dificilmente resistem aqueles que gostam de saborosas canções (compostas pelo próprio Patrick) em que a luxúria e a voluptuosidade surgem por entre os espaços deixados livres pelas nuvens de teclados e cordas. Passagens rítmicas inesperadas e uma voz que se deixa vergar aos seus mais íntimos desejos e fantasias completam o naipe. No Festival Sudoeste TMN, Patrick Wolf ainda estará tomado de grandes amores com o seu recente álbum “The Magic Position”. O título, ao que consta, é retirado do clássico livro indiano “Kama Sutra”. Prevê-se tempos de sensualidade sonora deste “lobo” por terras alentejanas.





THE NOISETTES | Os The Noisettes partem de Londres com uma ideia nas suas cabeças: confundir e exasperar as cabeças e os ouvidos de quem os ouve. Expliquemo-nos: a sua música ostenta pedaços tão diversos como free jazz e guitarras speedcore. Às vezes ao mesmo tempo… São três. A vocalista e baixista Shingai Shoniwa é de origem zimbabweana, sobrinha de um dos Bundhu Boys e dona de uma senhora voz, que usa como uma cantora gospel bêbada. A sua prevista carreira de actriz terminou quando se juntou ao guitarrista Dan Smith, que aos 13 anos decidira aprender guitarra para poder juntar-se à banda de Jimmy Page. O terceiro elemento desta estranha troupe é um maníaco baterista, que clama ter passado anos da sua juventude sozinho em casa a tocar horas a fio até um determinado som de bateria lhe parecer perfeito. Devido aos acasos das fusões acabaram por se achar no rol da mítica editora Motown. Diana Ross provavelmente desmaiaria ao ouvi-los, mas um iconoclasta revolucionário e romântico como Marvin Gaye apreciaria. E o álbum de estreia, “What’s the Time Mr. Wolf?”, ainda pisca o olho a “Pulp Fiction” e ao grande Harvey Keitel. Como não adorar estes barulhentozinhos?





AIR TRAFFIC | A história acontece vezes e vezes sem conta por terras da Grã-Bretanha: quatro jovens de uma cidadezinha da província formam uma banda, querem a fama e o proveito, deslocalizam-se para Londres, conseguem uma minúscula edição de um single, são descobertos por um DJ influente, assinam por uma editora “major” e tornam-se a “next big thing”, por onde passa (algum do) futuro do rock. Demos os “nomes aos bois”: a banda chama-se Air Traffic, vêm de Bournemouth, e quem lhes deu a mão após ouvir o single “Just abuse me” foi Steve Lamacq, da BBC Radio – já assinaram pela EMI. A canção, para além do título apelativo, mostra bem o “template” destes controladores de tráfego aéreo: indie rock de boa cepa, propulsionado pelo piano e com cuidados na produção. Quando chegarem ao Festival Sudoeste TMN já terão editado o álbum de estreia e mais um single de perdurar na orelha, “Charlotte”. Trarão consigo muitas canções de boa cepa, muita vontade de mostrar que vão chegar longe. É que a história acontece vezes e vezes sem conta por terras da Grã-Bretanha, e por vezes os quatro jovens da cidadezinha de província são mesmo uma bela descoberta para o grande mundo. Querem apostar que isso vai acontecer aos Air Traffic, mesmo à nossa frente, na Zambujeira?



SOLDIERS OF JAH ARMY | Como nome de banda, Soldiers of Jah Army é logo à partida um programa completo. Um (pequeno) exército de músicos que usam o reggae para divulgar os ideais rastafarianos. São oriundos de Washington, cidade mais conhecida pela sua tradição de punk hardcore, mas os Soldiers professam a militância agressiva e potente recorrente nos grupos da capital norte-americana. O quinteto liderado pelo vocalista e guitarrista Jacob Hemphill (cujo apelido se pode traduzir livremente por “Colina do cânhamo”) é adepto de um roots reggae muito orgânico e simples, apimentado por algumas incursões de raiz rock. São autênticos animais de palco, onde aperfeiçoam o seu som e sua mensagem de abertura de mentes e de olhar para um mundo mais largo do que as salas de estar da “Middle America”. Estão juntos há uma dezena de anos, mas é o último álbum, “Get Wiser”, que entusiasmou os especialistas, que colocam agora estes jovens no restrito grupo dos nomes dos quais se espera o avanço do reggae norte-americano.
YELLOWMAN | Mesmo num ambiente fértil em personalidades muito características como é o meio musical jamaicano, Yellowman destaca-se facilmente. Antes de mais porque é albino numa ilha negra, o que por si carrega um forte estigma social. Mas o homem baptizado Winston Foster trocou as voltas ao que se esperava de si: através do amor pela música, passou de intocável num orfanato de Kingston para um dos mais importantes artistas jamaicanos. Nos anos 80, após a morte do patriarca Bob Marley, o “homem amarelo” esteve na vanguarda dos que transformaram a paisagem do reggae, modernizando-o, electrificando-o e tornando-o no que é hoje o dancehall. Yellowman revelou-se um espectacular toaster, cantando/falando/rappando numa forma única, muitas vezes improvisando no momento. Por outro lado, especializou-se em sexualizar e violentizar as temáticas das canções. Se por um lado defendeu tal abordagem, devido à necessidade de, com humor e ironia, se afirmar e adaptar às mudanças sociais que então se operavam, por outro não pôde escamotear as acusações de incitamento ao sexismo, homofobia e violência. Nos últimos anos, e após graves problemas de saúde, mitigou os exageros, e mantém agora, como podemos perceber no Palco Positive Vibes do Sudoeste TMN, um equilíbrio musical e lírico que expõe toda a importância de Yellowman na evolução do reggae.
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